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7.4.10

Coisas que não entendo

Ambas desdobradas do post de ontem.

1 - Por que se diz tanto que "no Brasil não tem desastre natural." As chuvas que caíram no Rio desde domingo são comparáveis às que caem durante um furacão.

2 - Por que o soberano do Japão é chamado, nas línguas ocidentais, de imperador. Imperador, desde que Carlos Magno cunhou a palavra a partir do imperator romano (que era só mais um das dúzias de títulos republicanos empilhados nos imperadores, já que oficialmente o império romano continuava a ser uma república), tem um pressuposto ou de universalidade (ecumenicidade, diria o Toynbee), isso é, de domínio teórico e legítimo de todo o globo (como, em mongol, Gêngis Cã, "soberano oceânico") ou de suzeranidade sobre outros reis independentes (é o shahanshah, rei dos reis persa). Um terceiro significado surgiu com os "impérios coloniais" europeus (inclusive, com o caso bizarro de impérios pertencentes a repúblicas), mas, curiosamente, esse significado não se extendia ao soberano, de modo que a rainha Vitória era soberana de um império. (E imperadora apenas na Índia, não na Grã-Bretanha.)

Ora, o Japão não se encaixa em nenhuma das categorias acima. O soberano japonês não se sobrepunha a outros soberanos, nunca se pretendeu soberano com direito legítimo ao globo, nem teve, antes do período entreguerras, império ultramarino. Nem tem algum sentido de venerabilidade, como os imperadores etíopes de linhagem salomônica. Então por que diabos fala-se em imperador do Japão e (por exemplo) rei da Tailândia, que são países equivalentes em quase todos os sentidos? É por conta da revolução Meiji? Não, porque já se falava em imperador japonês antes dela. Tradução do chinês? Não, o tenno é chamado em chinês de wang nihon, "rei do Japão." Então, por que?

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